logotipo Portal da Familia

Portal da Família
Início Família Pais Filhos Avós Cidadania
Vídeos Painel Notícias Links Vida Colunistas
 

Fabio Toledo

Coluna "Assuntos de Família"

Ética na família

Fábio Henrique Prado de Toledo

Recentemente participei de um debate sobre o tema “Família: aspectos éticos e jurídicos”. É impressionante como a questão ética desperta cada vez mais o interesse nas pessoas. Talvez se esteja percebendo que, por mais que o progresso tecnológico traga benefícios, é impossível que proporcione a tão almejada qualidade de vida se não vier acompanhado de igual evolução nas relações humanas.

Quando foi aprovado, em 2002, o novo Código Civil brasileiro, muito se noticiou que, no âmbito do direito de família, teria ocorrido grande evolução, com a quebra de “tabus”, e outras coisas semelhantes. Não sei o que se entende, no caso, por evolução, mas se com isso se afirma que houve desvalorização do casamento ou  enfraquecimento dos laços entre pais e filhos, a assertiva não é verdadeira. É que a nossa lei contém preceitos que, se fossem aplicados, ensejaria um verdadeiro resgate da ética na família.

O primeiro artigo do livro que trata do Direito de Família consagra que o casamento estabelece comunhão plena de vida, com base na igualdade de direitos e deveres dos cônjuges. Nisso está destacado o caráter perene do matrimônio. E nesse propósito de se resgatar a ética na família, há que se investigar em que medida se têm consciência disso quando se dão em casamento. Certa vez soube de um pai que, todo choroso, dizia à filha, poucos dias antes da cerimônia: “Filha, deixarei seu quarto tal como está, se não der certo, pode voltar quando quiser”. Certo orientador familiar, comentando o caso, concluiu: “Se não der certo? Já não deu! Encarar as agruras do início de uma vida conjugal com um pé dentro outro fora, é naufrágio certo!”.

Conta-se que Hernán Contes, o conquistador espanhol, ao desembarcar no México, afunda os seus barcos a fim de evitar deserções e penetra no continente. Para se estabelecer uma comunhão plena de vida, penso que o casal deva encarar dessa forma o casamento: afundando os barcos que os pudessem conduzir à vida de antes. Essa opção exige verdadeira batalha, no mais das vezes contra os próprios defeitos, mas vale a pena.

O nosso moderno Código Civil não pára aí. Em seu artigo 1.566, estabelece que são deveres de ambos os cônjuges a fidelidade recíproca. Quando se fala de fidelidade gosto muito de lembrar de um sábio que construía um trocadilho: “felicidade, fidelidade, fidelidade, felicidade...”. E o fazia propositadamente, dada a estreita vinculação que uma tem com outra, além das semelhanças fonéticas.

A felicidade depende da fidelidade aos compromissos assumidos, e isso em todos os âmbitos das relações humanas. Muitas pessoas, em certa fase da vida, sentem-se frustrados profissionalmente porque não foram fiéis aos compromissos assumidos. E isso se dá em maior intensidade nas relações conjugais. Aquela promessa de que seria na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, deve se traduzir em atos concretos coerentes com o compromisso todos os dias. Isso implica em interromper um pouco o trabalho, se isso for possível, para falar com o outro, em saber se está tudo bem, em esforçar-se por fazer boa cara à noite quando a família se reúne, por mais estressante que se tenha sido o dia, enfim, esquecer-se de si e ocupar-se do outro.

E o Código Civil continua com o rol de deveres: vida em comum no domicílio conjugal. Um amigo meu, comentando essa norma, certa vez conclui, meio brincando meio a sério: “é ilegal que as pessoas de uma família jantem diante da TV e ali fiquem até a hora de dormir, sem ter ao menos alguns minutos de conversa livres dessa intrusa que afoga o relacionamento entre as pessoas”.

E mais: mútua assistência; respeito e consideração mútuos. Mútua assistência não é apenas ir visitar no hospital quando o outro estiver doente. É ouvir, conhecer os problemas, anseios, frustrações e encará-los como próprios, pois somente assim a ajuda pode ser sincera e eficaz. Respeito e consideração que se traduzam em trato afável, sobretudo diante dos filhos.

O Código fala ainda em sustento, guarda e educação dos filhos. Quanto a isso,  podemos voltar a falar em outra oportunidade. Porém, se os filhos crescerem num ambiente em que os pais se portam de acordo com os demais deveres, por certo que estarão muito bem amparados e educados.



família

Ver outros artigos da coluna


Fábio Henrique Prado de Toledo é Juiz de Direito em Campinas e Especialista em Matrimônio e Educação Familiar pela Universitat Internacional de Catalunya – UIC.

e-mail: fabiohptoledo@gmail.com

Blog: http://fabiohptoledo.blogspot.com.br/

Publicado no Portal da Família em 19/09/2010

 

Divulgue este artigo para outras famílias e amigos.

Inscreva-se no nosso Boletim Eletrônico e seja informado por email sobre as novidades do Portal
www.portaldafamilia.org


Publicidade