Portal da Família
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O projeto de coleta de Senso Comum e suas aplicações nos computadores |
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Imagine uma cozinha “inteligente” que avisa quando uma criança pequena se aproxima de um fogão aceso e também facilita o preparo da comida. Ou um computador que lhe dá dicas sobre como continuar uma redação. Para tornar esses cenários possíveis, diversos pesquisadores do mundo estão unidos no projeto OMCS (Open Mind Common Sense) do Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT), cujo objetivo é coletar um tipo de conhecimento chamado de "senso comum", e que desde 2005 possui uma versão brasileira, o OMCS-Br, desenvolvido pelo Laboratório de Interação Avançada (LIA) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). O gelo é frio e a noite é escura? As pessoas têm unhas? Existe uma cama em um quarto de hotel? Esses são exemplos de conhecimentos de "senso comum". Segundo a Dra. Junia Coutinho Anacleto, coordenadora do projeto, os computadores de hoje não possuem informações básicas sobre o mundo e por isso não são capazes de identificar automaticamente o contexto em que estão sendo usados. Por isso, coletar o conhecimento de senso comum pode ser útil para ajudar no desenvolvimento de aplicativos interativos que reconheçam essas diferenças de contexto. A Dra. Junia explica que “senso comum é um conceito abstrato que surgiu no final da década de 50, e se relaciona a fatos do nosso dia-a-dia, que usamos sem mesmo pensar sobre eles - conhecimento comum, ou, mais genericamente, conhecimento do mundo”. Mas ela ressalta que dizer que uma afirmação é senso comum em uma cultura não significa que seja cientificamente verdadeira ou que seja senso comum em outras culturas. Além disso, segundo Aparecido Fabiano Pinatti de Carvalho, outro pesquisador do projeto, a classificação de um fato como sendo de senso comum depende do contexto temporal e cultural, no qual ele está sendo analisado, considerando os estados mentais dos indivíduos. De fato, parte do conhecimento de senso comum é influenciada por aspectos históricos, políticos e sociais, enquanto outra parte deriva de observações sobre o mundo físico. Por exemplo, o céu é azul devido ao efeito prisma da atmosfera da Terra sobre os raios solares, que dispersam em maior quantidade a cor azul em virtude do seu comprimento menor de onda (espalhamento de Rayleigh) [1], por isso essa cor é associada ao céu. A cor azul passou a ser convencionalmente associada a meninos e a cor rosa a meninas somente a partir de 1950, sendo normal acontecer o contrário antes disso (o rosa era associado ao vermelho claro e à coragem, enquanto o azul à delicadeza) [2]. Na civilização ocidental, a cor preta é normalmente associada com morte, e o branco com a pureza, enquanto na China, o branco é a cor fúnebre e o vestido das noivas é vermelho [3]. A partir do conhecimento do mundo, de fatos do dia a dia e de valores culturais, os computadores podem se tornar mais amigáveis e mais úteis para o homem em seu cotidiano. Um dos objetivos do estudo, por exemplo, é observar as diferenças de senso comum entre o Brasil e outros países, além das diferenças entre as próprias regiões do país. As aplicações dessa base de dados são muitas. Esse banco de dados pode ajudar a comunicação entre pessoas de diferentes culturas e idiomas de várias formas. Seria possível, por exemplo, melhorar os sistemas de tradução simultânea e a comunicação escrita, porque munido de conhecimento de senso comum, o tradutor pode ir além de traduzir as palavras, inserindo-as no contexto do usuário e fazendo sugestões. A idéia do projeto OMCS-Br não é de fazer o computador tomar decisões para o ser humano, mas sim entender o contexto da interação e sugerir ações relacionadas que a pessoa pode aceitar ou não. Para isso, pretende formar um grande banco de dados com essas informações a partir de contribuições de voluntários pela Internet. Qualquer pessoa pode participar, acessando o site do OpenMind e respondendo a perguntas que surgem na tela sobre coisas que parecem simples para nós mas são desconhecidas para o computador. Depois de se cadastrar, a pessoa responde a perguntas simples, como “O que se pode encontrar no supermercado?” ou, “Você geralmente encontra um copo em um ______”, e a sentença formada é armazenada na base de conhecimento. A coleta tornou-se uma corrida para ver quem contribui mais. Há participantes de todas as faixas etárias. “O cadastrado mais novo tem oito anos, e entre os mais velhos há um senhor de 64, que é um dos participantes mais assíduos”, acrescenta a Dra. Junia. Aproveitando a época, a equipe do projeto Open Mind Common Sense no Brasil lançou mais um desafio: a primeira edição do Desafio OMCS de Inverno, com direito a prêmios para os participantes mais ativos. Basta acessar o site no endereço www.sensocomum.ufscar.br , se cadastrar e começar a participar. Além de contribuir com esse projeto pioneiro, a experiência é bem divertida. Experimente!
[1] Ewout ter Haar – USP/Instituto de Física – http://euclides.if.usp.br/~ewout/ensino/fge1189/000165.html |
Participe!
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Publicado no Portal da Família em 23/06/2008 |
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